Início | Notícias | Fotos | Brunhoso | Tradições | Artesanato | L. de visitas | Fórum Blog | Ligações  

 

Arranjos na Fraga do Poio 14-10-2010
Feira dos Burros do Azinhoso 09-09-2007
Jantar convívio de toda a população de Brunhoso
10-08-2007
Passeio ao Rio Sabor em busca das Rascas (09-08-2007)
Peddy-paper e almoço convívio (22-07-2007)
O passeio ao Rio Sabor foi um sucesso (08-04-2007)
Carnaval 2007
(20-02-2007)
Montaria ao Javali (10-02-2007)
Os Reis
(06-02-2007)
Bruxelas contra a Barragem do Baixo Sabor  (18-11-2005)
Eleições autárquicas 09-10-2005
Eleições legislativas 20-02-2005
Notícias 2004



 

 

 

 

 

 

Convívio tradicional

No dia 6 de Março realizou-se, em Brunhoso, um convívio entre a população da aldeia. A iniciativa partiu da junta de freguesia, que convidou toda a população para um dia diferente.
As actividades começaram bem cedo pois era preciso que as pessoas se desinjuassem. Foram poucos os que aparecerem, tão cedo, porque a vida na aldeia é bastante ocupada. A par de outras iguarias mais modernas, não faltou a aguardente, os figos secos, as azeitonas, presunto e bolas fritas.
Ainda as pessoas se encontravam em volta da mesa quando chegou a carrinha que transportava o porco que seria um dos elementos essenciais do convívio. Do programa fazia parte uma matança tradicional do porco, coisa praticamente desconhecida para os mais novos e bastante saudosa para os mais idosos. Estes rituais, polémicas à parte, fazia parte do quotidiano da vida na aldeia e estava intimamente ligada à sobrevivência das pessoas. Era um dia diferente, quase festa, mas nunca a festa da morte do animal, antes a festa da vida das pessoas e a promessa da carne necessária para o resto do ano, dada a utilização dos tradicionais processos de conservação das distintas partes do animal.
Acendeu-se uma enorme fogueira em frente à Casa do Povo, e nela foram colocadas duas grandes panelas de ferro. Era esperada muita gente, que aos poucos foi chegando. Veio também a autoridade sanitária que atestou a conformidade da saúde do animal.
Não faltaram braços e mãos para ajudar e um animal foi pouco para todos os que queriam recordar os procedimentos que tantas vezes repetiram! Depois de morto, o animal foi chamuscado e lavado. As opiniões dividiram-se entre a utilização de uma pedra ou de um bocado de cortiça para esfregar, mas ambas se mostraram eficientes.
O sangue foi recolhido para a confecção das tradicionais sopas do xis (tchis), prato indispensável em todas as matanças na aldeia. Os pordentros (vísceras) e as pontas das costelas foram separados e preparados para o guisado.

Enquanto o porco era desmanchado, algumas mulheres foram ao ribeiro da Faceira fazer uma demonstração do tratamento que era dado às tripas. Mesmo sem terem praticado ultimamente, manusearam com grande destreza uma verga de olmeira que serviu para retirar do interior das tripas todo o lixo nelas existente e ficarem finas como fios.
A azáfama no salão da Casa do Povo era muita e na cozinha anexa ainda mais. O salão ficou preparado para receber cerca de 100 pessoas e na cozinha, mesmo com o nervoso miudinho com receio de que algo pudesse correr mal, e apesar de serem muitos os que se disponibilizaram para colaborar, não havia tempo para pensar. Tirando o bolo comemorativo e alguns pastéis, tudo foi confeccionado localmente, desde o arroz doce, passando pelas sopas, até ao prato principal, o guisado de porco com batas cozidas. Entretanto realizavam-se alguns jogos tradicionais para ocupar toda a gente.
Chegaram os convidados, pessoas que ocupam os cargos mais altos nos órgãos concelhios. As pessoas foram entrando, tomando os seus lugares e o salão ficou quase repleto, depois de acrescentados mais alguns lugares de última hora.

Das entradas constou, queijo, presunto, nozes, chouriço assado, alheira, salpicão, presunto e frango cozidos na água com que se amoleceram as sopas. Foram servidas sopas do xis e sopas de estrelinha, salada, e guisado de porco com batas cozidas. Não faltou o pão, o vinho e as azeitonas. A refeição foi farta e demorada. À mesa as conversas fluem. Nas pequenas aldeias de Trás-os-Montes, a mesa e a lareira são de grande importância. Degustaram-se as iguarias, colocou-se a conversa em dia e mataram-se algumas saudades, dos pratos e das pessoas, uma vez que estes convívios também servem, sobretudo, para juntar pessoas.
Como sobremesa foi distribuída fruta, pasteis, servido arroz doce e bolo decorado especificamente para este convívio.
Está de parabéns a Junta de Freguesia pela organização de mais este convívio e a população pela adesão à iniciativa e pela preciosa ajuda que alguns deram para que o evento fosse um sucesso.

 

Xo_oX

 03.04.2011

Xo_oX