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Cristãos alegria

Cântico que iniciava a cerimónia de beijar o menino

Cristãos, alegria que nasceu Jesus
A Virgem Maria no-lO deu à luz...
Jesus, Jesus, saudemos Jesus,
Jesus, Jesus, saudemos Jesus!

Que meiga alegria nos traz este dia
De Jesus, Natal! Não há neste mundo
Prazer tão jucundo que lhe seja igual ...

Os anjos nos ares em ledos cantares
Anunciam Paz. Oh, que dom divino,
E um Deus Menino É quem no-lo traz.

De todo o rebanho, o mais lindo anho
Lhe leva o pastor; a mais rica prenda
Que Jesus pretenda é o nosso Amor!

Lá nos altos Céus, honra e glória a Deus
Que nos deu Jesus; paz na terra à alma
Que, serena e calma, vive unida à cruz.

Cantiga dos Reis

Ao carrasco de Lisboa
Já lhe caiu a bolota
Se nos querem dar os Reis
Venham-nos abrir a porta.

Esta casa está forrada
Com telhado de cortiça
Se nos querem dar os Reis
Dêem-nos uma linguiça.

Esta casa está caiada
E forradinha de papelão
Se nos querem dar os Reis
Dêem-nos um salpicão.

Quem diremos nós que viva
Na folhinha da oliveira
Viva a senhora desta casa
Que é uma boa cozinheira.

Quem diremos nós que viva
Na folhinha do loureiro
Viva o senhor desta casa
Que é um grande cavalheiro



da época natalícia

Noite de Consoada

Como se tratava da época da apanha da azeitona, as pessoas habitualmente iam à azeitona no dia de consoada. Nesse dia até a apanha azeitona era diferente. O patrão oferecia a merenda que consistia em Bacalhau, figos, nozes, pão, azeitonas, vinho e água-ardente.
À noite juntava-se a família e fazia-se a cheia de Natal.
Cozia-se o polvo, os tronchos (couve tronchuda) e as batatas. Também se fazia arroz com o centro da couve e as pontas dos “rabos” do polvo. Como doces usavam-se as rabanadas, as “pasmadas” (filhós), bolas de “cabaça” (abóbora), arroz doce e por vezes aletria.
Os sapatos dos mais pequenos ficavam na chaminé à espera dos presentes do Menino Jesus. Os presentes mais frequentes eram: bonecas de trapos, rebuçados miúdos, bolachas, roupa (meias, camisolas). De manhã levantavam-se cedo à procura dos presentes. Algumas mais “travessas” não mereciam a atenção do Menino Jesus que não descia pela chaminé.

Fogueira do Galo

    No dia 24 de Dezembro juntava-se os rapazes solteiros e alguns casados mais animados a fim de juntarem a lenha para a Fogueira do Galo. Pediam a lenha mas muitas vezes acabavam por roubá-la. Usavam carros de bois que puxavam pelas ruas tentando fazer o mínimo barulho possível.
    À meia-noite o mordomo da fogueira acendia-a. Quando se realizava a Missa do Galo, o calor da fogueira animava o ambiente.
Durante a noite homens e rapazes cantavam à volta da fogueira. Entoavam cânticos ao Menino Jesus que se tornavam cada vez mais pagãos à medida que a noite avançava. O vinho acompanhava os frangos e os chouriços assados e mais recentemente a cerveja juntou-se também à festa. Quando o cansaço vencia, estendiam-se no muro do adro e dormiam uma soneca mas também não eram poucas as vezes em que os ânimos se exaltavam com o calor do álcool e da fogueira. De manhã, quando a missa se realizava às nove horas, já poucas forças restavam mas o mordomo apagava e guardava o resto da lenha que sobrava da fogueira. A lenha restante era leiloada no fim da missa e dinheiro conseguido com o leilão entregue para o Menino Jesus.

 

Dia de Natal

Havia três mordomos do Menino Jesus que faziam o presépio com musgo e a árvore de Natal, dentro da igreja.
Um dos momentos mais solenes era quando se beijava o Menino e com cestos de verga de levar a roupa para a ribeira, se recolhiam as ofertas das pessoas. Os cestos eram transportados por crianças. Como o dinheiro não estava ao alcance de todos, ofereciam laranjas, tangerinas, maçãs, cebolas, chouriço, ramos de oliveira enfeitados com rebuçados, bolachas, cigarros e cigarros de chocolate.
Este ofertório repetia-se três vezes: Natal, Dia da Ano Novo e Dia de Reis (domingo mais próximo). No dia de Reis, todas as oferendas eram leiloadas e o dinheiro angariado
era para o Menino Jesus. Com esse dinheiro era habitual adquirir sedas, toalhas jarras e flores para o altar.

Dia de Reis

Juntavam-se os solteiros (algumas raparigas) que cantavam os reis à porta. Entravam nas casas a cantar e a pedir chouriças pretas (“chabianos”), salpicões, alheiras e linguiças.
Quanto eram recebidos, tentavam apanhar mais algum fumeiro além do que lhe ofereciam.
Quando os donos da casa não lhes abriam a porta, cantavam quadras que os atacavam.
Depois juntavam-se numa casa onde assavam comiam as ofertas conseguidas.

No dia de Natal, o primeiro dia de Janeiro e o Dia de Reis não se trabalhava.

Recolha feita no dia 20/11/2004 com a colaboração da Sr.ª Celeste Neto e outros residentes.

 

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