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Transcrição do Artigo publicado na revista “ O BI-TÓ-RÓ “ de 1994, Ano II, nº2, de Abril, Maio e Junho, da Associação Cultural e Recreativa de Soutelo Mogadouro.

A Sexta-feira Santa em Brunhoso

 

É costume fazer-se em Brunhoso uma Via-Sacra, percorrendo as ruas da aldeia com muita solenidade.

Esta tem lugar na Sexta Feira Santa e é feita com muito silêncio, respeito e recolhimento.

Devo acrescentar que muitas pessoas comentam que até gostam mais desta solenidade do que propriamente da grande romaria que se faz no Verão em honra de Santa Bárbara.

Como é feita com tanto respeito e tanto amor, decerto é muito do agrado dos Divinos Corações de Jesus e da Sua Santíssima Mãe. Esta Via-Sacra começa assim:

Uns dias antes, quase sempre no Domingo de Ramos, faz-se a muda do Divino Senhor dos Aflitos da Capela para a Igreja.

Chamamos a esta Capela, a Capela de Nossa Senhora das Dores.
Na Sexta Feira Santa, antes da adoração da Cruz e ainda dentro da Igreja, é uma criança que faz a leitura da 1ª estação.

O senhor Padre preside e orienta toda a cerimónia, mas a leitura de todas as estações é feita cada uma por sua pessoa.

A Imagem do Divino Senhor dos Aflitos vai caminhando pelas ruas, fazendo paragens em cada estação.

A segunda estação é feita por um agricultor; fala ao Senhor do seu trabalho árduo e pesado e tantas vezes tão mal recompensado. Esta estação é uma das mais belas. Jesus vai caminhando connosco.

Agora é um jovem que fala dos seus problemas e pede ao Senhor ajuda para levar a sua cruz.

A quarta estação, onde meditamos o encontro de Jesus com a sua Santíssima Mãe, tem lugar junto à Capela onde a Imagem de Nossa Senhora das Dores encontra o seu amado Filho.

Este encontro é comovente, vive-se, não dá para explicar. È neste momento que pedimos ao Divino Senhor e sua Santíssima Mãe pelos nossos irmãos emigrantes.

Estes, embora ausentes, estão presentes no coração de todos nós.
A partir da quarta estação vão as imagens de Jesus e Maria percorrendo as ruas da aldeia. O Divino Senhor dos Aflitos vai à frente e Nossa Senhora das Dores, tal como no Calvário, acompanha o seu Amado Filho.

A Via-Sacra continua e todo o povo acompanha com muito respeito e devoção.

Termina na Capela onde ficam as imagens.

Aproveito ainda para informar que perto da Capela de Nossa Senhora das Dores há um chafariz. E que grande fé que as pessoas tinham com essa água!... Diziam que era água dos pés de Nossa Senhora. Com ela lavavam os olhos e bebiam na esperança de Nossa Senhora aliviar as suas dores, o que tantas vezes acontecia.

Por Helena Maria Magalhães
Março de 1994

 

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04-03-2006